
A Multipetro
acredita na vocação natural do Brasil
como maior produtor agrícola e como maior
produtor agrícola desta era globalizada,
mas para que esta meta seja atingida preservando
a natureza, incentivamos a agricultura sustentável,
forncecendo bio-diesel e derivados do petróleo
com o máximo de cuidados ambientais.
É necessário
esclarecer que existem diferenças entre a
agricultura tradicional e a agricultura praticada
atualmente. Chama-se agricultura tradicional o conjunto
de técnicas de cultivo que vem sendo utilizado
durante vários séculos pelos camponeses
e pelas comunidades indígenas. Estas técnicas
priorizam a utilização intensiva dos
recursos naturais e da mão-de-obra direta.
A agricultura tradicional é praticada em
pequenas propriedades e destinada à subsistência
da família camponesa ou da comunidade indígena,
com a produção de grande variedade
de produtos.
Desde o final
da Segunda Guerra Mundial teve início um
processo de declínio da agricultura tradicional
praticada até então. Na década
de 60, começa a ser implantada uma nova agricultura,
chamada moderna, que se caracteriza pelo grande
uso de insumos externos, utilização
de máquinas pesadas, mau manejo do solo,
uso de adubação química e biocidas.
A agricultura moderna existe há poucos anos
e já demonstra o colapso de suas técnicas.
Desta forma, não pode ser considerada uma
agricultura de fato sustentável, ao contrário
da agricultura tradicional, que tem centenas de
anos de história e sustentabilidade a longo
prazo.
O termo mais
adequado para denominar a agricultura praticada
atualmente é agricultura moderna, convencional,
química ou de consumo. Esta agricultura teve
origem a partir de modificações na
base técnica da produção agrícola,
o que se chamou de modernização, e
apresenta conseqüências que demonstram
sua insustentabilidade.
O consumo exagerado
de insumos externos, ou seja, insumos de fora da
propriedade ou de sua região, geralmente
são de alto custo e causam a dependência
financeira, tecnológica e biológica
do produtor. A produção destes insumos
não passa pelo produtor e não é
influenciada por ele, gerando a dependência
financeira e a dominação do fornecedor.
Da mesma forma, sua aplicação não
é de conhecimento e controle do produtor,
de onde vem a dependência tecnológica
e, junto com ela, a biológica, no que se
refere à manipulação genética
e uso de microorganismos.
As sementes
tradicionais, que eram selecionadas e utilizadas
pelos camponeses ano após ano, estão
se perdendo. Hoje, existe apenas uma pequena variedade
de plantas em que se consegue obter a mesma produção
a cada safra. Em geral, o produtor não consegue
mais utilizar a mesma semente, tem que adquirir
outras variedades e usar novos insumos. É
o que acontece com a semente híbrida, que
exemplifica a típica ideologia da agricultura
moderna: o consumo permanente.
Na agricultura
moderna, tudo que é produzido de dejetos,
efluentes ou resíduos é lixo. Estes
subprodutos são depositados na natureza,
causando grande impacto ambiental. Esta maneira
de pensar consumista é uma concepção
muito nova, moderna, destruidora, não-regenerativa
que reflete a falta de harmonia entre homem e ambiente
e a despreocupação com o todo. O mesmo
acontece nas cidades. A área onde são
construídas as cidades é a mesma em
que são colocados os dejetos produzidos por
elas. Isto significa o homem poluir a si mesmo.
A utilização
de máquinas pesadas também faz parte
da ideologia da agricultura moderna. Quanto maiores
forem as máquinas, mais tecnologia e status
representam. No entanto, estas máquinas têm
um alto custo e exigem financiamentos que causam
o endividamento do produtor agrícola. Isto
não é sustentabilidade. Outro inconveniente
do uso de máquinas pesadas é o grande
impacto na estrutura do solo e o afastamento do
agricultor da terra.
A desestruturação
do solo causa a pulverização e compactação
da terra. Já o afastamento do agricultor
da terra faz com que se perca o contato com a mesma,
o diálogo com a natureza e a observação
das plantas e animais. Além disto, também
possui conseqüências sociais, como a
migração do colono para as cidades
por causa de financiamentos que acabam comprometendo
a propriedade.
O mau manejo
e o uso intensivo do solo também provocam
desestruturação. Na camada mais superficial,
o solo fica desintegrado, pulverizado. Na camada
mais profunda, o solo fica compactado pelo uso sistemático
de máquinas pesadas. Com o tempo, forma-se
uma camada dura e compactada embaixo da terra e
uma camada fofa e pulverizada em cima, que, teoricamente,
seria o ideal para receber a semente. Estas condições,
aliadas à chuva, causam o deslocamento do
solo - também chamado de perda de solo anual
-, a dificuldade de penetração e fixação
das culturas, a dificuldade de trocas químicas,
a dificuldade de absorção de água
e oxigênio e a intoxicação ou
eliminação total da microvida. Este
é o custo ambiental da agricultura moderna
e do mau manejo do solo.
A adubação
química pesada, de alto custo, causa o desequilíbrio
fisiológico da planta, o desequilíbrio
ecológico do solo e a dependência do
agricultor. As plantas possuem um mecanismo de resistência
a "pragas" - o termo correto seria "insetos
com fome" (Teoria da Trofobiose, de Francis
Chaubossou) - que se baseia em seu equilíbrio
fisiológico.
As plantas
equilibradas não são boas hospedeiras
ou bons alimentos para bactérias, fungos,
vírus, insetos, nematóides, ácaros.
Isto ocorre porque estas plantas apresentam em sua
seiva proteínas complexas que não
podem ser desdobradas por estes organismos pela
falta de enzimas necessárias para a quebra
das cadeias de proteínas. Já as plantas
desequilibradas por estresse, por aplicação
de produtos químicos, por variações
de clima, por inadequação da espécie
à região, são bons alimentos,
pois possuem menor capacidade de metabolização
dos aminoácidos livres para transformá-los
em proteínas complexas. Desta forma, o inseto
dito "praga" tem condições
de evoluir, já que os aminoácidos
livres são alimento para ele.
O desequilíbrio
biológico do solo, causado pela utilização
de produtos químicos, afeta microorganismos
responsáveis pela disponibilidade de nutrientes
importantes para a planta que não consegue
absorvê-los através de suas raízes.
Desta forma, não existe a colaboração
de microorganismos do solo para processamento da
matéria orgânnica. Esta microvida está
sendo sistematicamente eliminada. Além disso,
quando o agricultor trabalha com adubação
química constante, cria a necessidade cada
vez maior de utilização de nutrientes
químicos, ocorrendo sua dependência
econômica e cultural.
O uso freqüente
e intensivo de biocidas (herbicidas, inseticidas,
acaricidas, nematicidas, fungicidas) é uma
prática de conseqüências bastante
graves. Os adeptos da agricultura moderna não
gostam deste termo, mas, na verdade, os biocidas
são produtos que matam a vida. Alguns matam
ervas, insetos, ácaros, mas se o homem entra
em contato com estes produtos também acaba
morrendo ou tendo doenças como câncer
e degenerações genéticas.
O que fica
bem caracterizado dentro do modelo de agricultura
moderna é a dependência tecnológica
e cultural. A cultura agrícola camponesa,
tradicional, vai se perdendo com o tempo, principalmente
com o desrespeito ao agricultor e a supervalorização
do técnico-cientista, que impõe técnicas
importadas, desconhecidas pelo agricultor, assim
como acontece com os insumos.
A destruição
de alimentos, o consumo exagerado, a insustentabilidade
a longo prazo e o balanço energético
negativo também são características
próprias da agricultura moderna. Dentro das
estruturas de transformação de alimentos,
a perda e a ineficiência do processo são
muito grandes. A destruição de alimentos
pode ser observada através das questões
de mercado, da estocagem, do transporte e da comercialização.
A agricultura
moderna, extremamente consumista, não fecha
ciclos, não tem a preocupação
de reciclar, de regenerar, de fazer com que o produto
retorne para a fonte. Isto é observado nos
lixões das cidades. O material orgânico
não retorna para a agricultura em forma de
adubo e o material mineral - latas, vidros - não
retorna para a produção. tudo é
consumido ou descartado. O não fechamento
de ciclos tem um balanço energético
negativo. A sociedade moderna consome mais do que
produz.
E isto tem
reflexos na insustentabilidade da agricultura moderna.
Considerando-se a história da humanidade,
este novo modelo de agricultura está em prática
há um período muito curto. No entanto,
já mostra seu colapso. Deve-se perceber este
colapso e encontrar caminhos. Um deles é
retomar a agricultura tradicional do camponês,
conhecer fundamentos e práticas agrícolas
já esquecidas e buscar alternativas sustentáveis
para a agricultura.
Como alternativa
à agricultura moderna amplamente praticada
atualmente, a agricultura ecológica começa
a se estender no mundo e no Brasil através
de diversas correntes que se diferenciam em alguns
pontos, mas possuem princípios comuns. Estas
tendências têm origem e precursores
diferentes, recebem denominações específicas
- Orgânica, Biodinâmica, Natural, Permacultura,
Alternativa, Nasseriana -, mas possuem o mesmo objetivo:
promover mudanças tecnológicas e filosóficas
na agricultura.
Agricultura
Orgânica: é a mais antiga e tradicional
corrente da agricultura ecológica. Teve origem
na Índia e foi trazida por acadêmicos
franceses e ingleses, ainda hoje influenciando a
sua sistemática de trabalho. A agricultura
orgânica é baseada na compostagem de
matéria orgânica, com a utilização
de microorganismos eficientes para processamento
mais rápido do composto; na adubação
exclusivamente orgânica, com reciclagem de
nutrientes no solo; e na rotação de
culturas. Os animais não são utilizados
na produção agrícola, a não
ser como tração dos implementos e
como produtores e recicladores de esterco.
Agricultura
Biodinâmica Originária da Alemanha,
é baseada no trabalho de Rudolf Steiner.
As principais características, além
da compostagem, é a utilização
de "preparados" homeopáticos ou
biodinâmicos, elementos fundamentais na produção
que são utilizados para fortalecimento da
planta, deixando-a resistente a determinadas bactérias
e fungos, e do solo, ativando sua microvida. Os
animais são integrados na lavoura para aproveitamento
de alimentos, ou seja, aquilo que o animal tira
da propriedade volta para a terra. A importação
de adubo orgânico não é permitida,
pois materiais orgânicos de fora da propriedade
ou da região não são adequados
por não possuírem a bioquímica,
a energia ou a vibração adequada à
cultura. Existe a preocupação com
o paisagismo, com a arquitetura e com a captação
da energia cósmica. A agricultura biodinâmica
está baseada na Antroposofia, que prega a
importância de conhecer a influência
dos astros sobre todas as coisas que acontecem na
superfície da terra.
Agricultura
Natural: Com origem no Japão, a principal
divulgadora desta corrente de trabalho ecológico
é a Mokiti Okada Association (MOA). Além
da compostagem, utilizam microorganismos eficientes
que têm capacidade de processar e desenvolver
matéria orgânica útil. Utilizam
a adaptação da planta ao solo e do
solo à planta. Este é o primeiro passo
para a manipulação genética
e, conseqüentemente, para a dominação
tecnológica, característica semelhante
à agricultura moderna, não sendo bem
aceita por outras correntes da agricultura ecológica.
Permacultura:
Tem origem na Austrália e no Japão
e segue o pensamento de Bill Mollison. As principais
características são os sistemas de
cultivo (sistemas agro-silvo-pastoris) e os extratos
múltiplos de culturas. Utilizam a compostagem,
ciclos fechados de nutrientes, integração
de animais aos sistemas, paisagismo e arquitetura
integrados. Na Permacultura não existem tecnologias
adequadas ou próprias, mas sim "tecnologias
apropriadas". A comunidade tem determinada
importância, deve ser auto-sustentável
e auto-suficiente, produzindo seus alimentos, implementos
e serviços sem a existência de capital.
A comercialização deve ser feita através
da troca de produtos e serviços.
Agricultura
Alternativa: Seus precursores no Brasil foram Ana
Primavesi, José Lutzenberger, Sebastião
Pinheiro, Pinheiro Machado e Maria José Guazelli.
Os princípios desta corrente são a
compostagem, adubação orgânica
e mineral de baixa solubilidade. Dentro da linha
alternativa, o equilíbrio nutricional da
planta é fundamental. Aparece, então,
o conceito de Trofobiose, que considera a fisiologia
da planta em relação à sua
resistência a "pragas" e "doenças".
Outra característica é o uso de sistemas
agrícolas regenerativos, e daí surgiu
a agricultura regenerativa, termo defendido por
José Lutzenberger. Outras pessoas dentro
desta mesma tendência adotaram o termo agroecologia
(Miguel Altieri) que possui um cunho político
e social. A agroecologia prioriza não só
a produção do alimento, mas também
o processamento e a comercialização.
Esta linha também se preocupa com questões
sociais como a luta pela terra, fixação
do homem ao campo e reforma agrária.
Nasseriana:
É a mais nova corrente da agricultura ecológica
e tem como base a experiência de Nasser Youssef
Nasr no Estado do Espírito Santo. Também
chamada de biotecnologia tropical, defende o estímulo
e manejo de ervas nativas e exóticas, a multidiversidade
de insetos e plantas, a aplicação
direta de estercos e resíduos orgânicos
na base das plantas, adubações orgânicas
e minerais pesadas. Nasser diz que a agricultura
de clima tropical do Brasil não precisa de
compostagem, pois o clima quente e as reações
fisiológicas e bioquímicas intensas
garantem a transformação no solo da
matéria orgânica. No Brasil, defende
Nasser, o esterco deve ser colocado diretamente
na planta, pois esta sabe o momento apropriado de
lançar suas radículas na matéria
orgânica que está em decomposição,
e os microorganismos do solo buscam no esterco os
nutrientes necessários para a planta e os
levam para baixo da terra. Outro ponto interessante
é o uso de ervas nativas e exóticas
junto com a cultura para que haja diversidade de
inços. Desta forma, é preciso manejar
as ervas nativas de maneira que elas mantenham o
solo protegido e façam adubação
verde. Não temos uma agricultura de solo,
mas de sol.
Todas estas
diversas correntes e tendências dentro da
agricultura ecológica concordam que a agricultura
sustentável precisa de alguns princípios
básicos para se implantar como tal. O primordial
seria o respeito, a observação e o
diálogo com a natureza. Um verdadeiro camponês,
agricultor, agrônomo ou técnico agrícola
deve ter a capacidade de perceber e de entender
o que está acontecendo com a planta e com
o animal. Isto resulta no uso da natureza a favor
da cultura.
Também
é importante o aproveitamento de recursos
naturais renováveis, a reciclagem de lixo
orgânico e de resíduos, a adubação
orgânica e a humidificação do
solo, a adubação mineral pouco solúvel,
o uso de defensivos naturais, o controle biológico
e mecânico de insetos e ervas, a permanente
cobertura do solo e a adubação verde.
Outras
técnicas comuns são a diversificação
dos cultivos e dos animais, a consorciação
e a rotação de culturas e a não-utilização
de agrotóxicos, adubos químicos solúveis
e hormônios vegetais ou animais. Com relação
a defensivos naturais, alguns são tolerados
pela agricultura ecológica. Nenhuma corrente
recomenda produtos para controle de insetos, ácaros
ou fungos, mas existe a possibilidade de usar extratos
e caldas vegetais - piretro, nicotina, retonona,
sabadilha -, pó de enxofre, calda bordalesa
e sulfocálcica, sulfato de zinco, permanganato
de potássio. Estes produtos são usados
com pouco ou menor impacto ambiental. Soluções
de óleo mineral, querosene e sabão
são produtos que podem ser usados, pois não
são intoxicantes ou impactantes do meio ambiente.
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